O Destino dos corpos adoecidos na escola de aprendizes marinheiro da Paraíba entre o final do séculos XIX e primeiras décadas do XX

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15628/rbept.2026.18518

Palavras-chave:

Escola de Aprendizes Marinheiros, Corpo, Doença

Resumo

Este trabalho tem por objetivo analisar o destino e atuação médica que a Escola de Aprendizes Marinheiros da Paraíba imputava aos corpos adoecidos em seu interior entre o final do século XIX e início do XX. Essa unidade compôs uma rede de instituições fundada em meados do século XIX e encarregada de formar, elementar e profissionalizar, a infância dita pobre e marginalizada da sociedade. Para tanto, era essencial que zelasse ainda pela saúde de seus menores, oferecendo um ambiente seguro e saudável ao desenvolvimento. Contudo, seus esforços não impediram que doenças assombrassem a escola, gerando males incalculáveis. Diante disso, pretendemos identificar os possíveis destinos para os corpos adoecidos e as enfermidades mais frequentes entre os aprendizes. Para tanto, adotamos metodologicamente a análise do discurso, formulada por Michel Foucault (2014), e o diálogo com o conceito de disciplina, de Foucault (2014), como ferramenta de análise das seguintes fontes: os Livros de Socorros (1896-1899), o Livro de Copiador de Ofício (1901-1914), o Livro de Termos de Inspecção (1927-1931) e Livro de Contractos (1927). Concluiu-se que os desafios para o tratamento de doenças forçavam a escola a optar por diferentes destinos para esses corpos, sendo cada decisão fundamentada em critérios ditos disciplinares.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Azemar dos Santos Soares Júnior, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Graduado em História. Doutor em Educação. Professor do Departamento de Práticas Educacionais e Currículo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Campina Grande (PPGH/UFCG) e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGEd/ UFRN). Pesquisador da História da Educação e da História da Saúde e das Doenças.

Luiz Felipe Soares de Lima, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Graduado em História (ufrn). Mestre em Educação (UFRN). Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atualmente é servitor tecnico-administrativo da UFRN.

Chrislaine Thuany Vieira Ferreira, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Graduada em Pedagogia (UFRN). Mestre em Educação (UFRN). Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Referências

ARAÚJO, Rafael Nóbrega. Educação pela saúde: os discursos higiênicos no combate a endemia da sífilis na imprensa paraibana na primeira metade do vigésimo século. In: SOARES JUNIOR, A. S.; ANDRADE, V. G. (Org.). A escrita do sensível: experiência, história cultural e práticas educativas. João Pessoa: Ideia, p. 231-250, 2019.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Decreto nº 4.680, de 17 de janeiro de 1871: Crêa uma Companhia de Aprendizes Marinheiros na Provincia da Parahyba. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-4680-17-janeiro-1871-552061-publicacaooriginal-68978-pe.html. Acesso em: 12 jan. 2025.

BRASIL. Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brazil de 1907. v. II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908.

CAMARGO, Erney Plessmann. Malária, maleita, paludismo. Ciência e cultura, v. 55, n. 1, 2003, p. 26-29.

FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Forense, 2007.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Rio de Janeiro: Forense, 2014.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: o nascimento da prisão. Rio de Janeiro: Graal, 2014.

HOCHMAN, Gilberto; FONSECA, Cristina. O que há de novo? Política de saúde pública e previdência, 1937-1945. In: PANDOLFI, Dulce. Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

“Livro de Actas”, 1927. [manuscrito, 18 f.]. Fundo Escola de Aprendizes Marinheiros. Arquivo Nacional da Marinha do Brasil, Rio de Janeiro, RJ.

“Livros de Copiadores de Offício”, 1901-1914. [manuscrito, 263 f.]. Fundo Escola de Aprendizes Marinheiros. Arquivo Nacional da Marinha do Brasil, Rio de Janeiro, RJ.

“Livros de Socorros”, 1896-1899. [manuscrito, 1.153 f.]. Fundo Escola de Aprendizes Marinheiros. Arquivo Nacional da Marinha do Brasil, Rio de Janeiro, RJ.

“Livros de Termos de Inspecção”, 1927-1931. [manuscrito, 17 f.]. Fundo Escola de Aprendizes Marinheiros. Arquivo Nacional da Marinha do Brasil, Rio de Janeiro, RJ.

MACIEL, Marina de Souza; MENDES, Plínio Duarte et al. A história da tuberculose no Brasil: os muitos tons (de cinza) da miséria. Revista Brasileira de Clínica Médica. São Paulo, mai-jun., 2012, p. 226-230.

PETER, Jean Pierre; Revel, Jacques. O corpo: o homem doente e sua história. In: LE GOFF, Jacques. História: novos objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.

SCHATZMAYR, Hermann G. A varíola, uma antiga inimiga. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, nov-dez, 2001, p. 1525-1530.

SOARES JÚNIOR, Azemar dos Santos. Physicamente vigorosos: medicalização escolar e modelação dos corpos na Paraíba (1913-1942). São Paulo: e-Manuscrito, 2019.

Downloads

Publicado

29.01.2026

Como Citar

JÚNIOR, Azemar dos Santos Soares; LIMA, Luiz Felipe Soares de; FERREIRA, Chrislaine Thuany Vieira. O Destino dos corpos adoecidos na escola de aprendizes marinheiro da Paraíba entre o final do séculos XIX e primeiras décadas do XX. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, [S. l.], v. 1, n. 26, p. e18518, 2026. DOI: 10.15628/rbept.2026.18518. Disponível em: https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/RBEPT/article/view/18518. Acesso em: 2 fev. 2026.

Edição

Seção

ARTIGOS

Artigos Semelhantes

> >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.