O alistamento de menores e a disciplina de corpos na Escola de Aprendizes Marinheiros da Paraíba nas primeiras décadas do século XX

Azemar dos Santos Soares Júnior, Luiz Felipe Soares de Lima

Resumo


Este trabalho tem por objetivo investigar o recrutamento de menores pela Escola de Aprendizes Marinheiros da Paraíba durante a primeira metade do século XX. Desde meados do oitocentos, entre as instituições militares que ocuparam maior destaque no ordenamento da sociedade brasileira, estão as Escolas de Aprendizes Marinheiros. Com a proposta de recolher e profissionalizar crianças pobres, menores órfãos e desvalidos para o futuro corpo da Marinha do Brasil, estas entidades ofereciam instrução militar, náutica e elementar dentro de um regime de internato, cuja essência se amparou na modelagem social e “prevenção” da delinquência. Para tanto, nos debruçamos sobre o Livro de Alistamento de Menores, os Livros de Copiador de Offício, e o Regulamento escolar, para problematizar os discursos que denunciavam as formas de recolhimento de menores, num momento em que registrava-se que a população preferia “[...] que seus filhos pereçam nas trevas e na miséria do que entregá-los ao estado para educá-los na honrosa carreira d’armas”. Nesses termos, entendemos o alistamento compulsório como um mecanismo de adestramento, nos fazendo recorrer ao entendimento de disciplina formulado por Michel Foucault (2018) para entender as formas de controle dos corpos dos aprendizes, a regulação e modificação dos critérios de admissão dos menores nos primeiros anos do vigésimo século. Metodologicamente, nos apropriamos da análise do discurso também proposto pelos escritos de Michel Foucault (2014) na tentativa de perceber os enunciados construídos e sobre eles construir outros discursos.

Palavras-chaves: Escola de Aprendizes Marinheiros, alistamento, disciplina.


Palavras-chave


Escola de Aprendizes Marinheiros, alistamento, disciplina.

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DOI: https://doi.org/10.15628/rbept.2021.10885

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