A FORMAÇÃO PARA O TRABALHO: O PAPEL DOS INSTITUTOS FEDERAIS NA PRODUÇÃO DOS NOVOS INTELECTUAIS

Karla Rodrigues Mota, Cláudia Helena dos Santos Araújo, Bruno Gonçalves dos Santos

Resumo


O presente artigo tem por objetivo refletir sobre a possibilidade da formação para o trabalho atuar como instrumento de libertação dos trabalhadores. À luz da contribuição teórica oferecida por Marx, Engels, Gramsci e Lukács compreende-se que o trabalho é o elemento determinante na diferenciação do homem frente aos demais animais e na (re)construção da específica e particular natureza humana, convertendo o ser natural em ser social. As transformações sociais ocorridas sob o modo de produção capitalista distorcem o real sentido do trabalho, tornando a atividade executada pelo homem instrumento de alienação e aprisionamento. Ao se eleger o trabalho, na sua dimensão histórico-ontológica, como princípio educativo, tem-se a possibilidade de permitir à classe trabalhadora produzir os seus próprios intelectuais e, portando, sua própria ideologia. Inicialmente, este estudo apresenta as dimensões históricas e ontológicas do trabalho, em seguida, discute a formação dos intelectuais orgânicos por meio da escola unitária gramsciana, por fim, reflete sobre a existência do gérmen desta perspectiva formativa dentro dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, concluindo que estas intituições podem se configurar como um modelo contra-hegemônico de educação profissional capaz de apontar o horizonte do “reino da liberdade” para a classe trabalhadora.


Palavras-chave


Educação Profissional; Trabalho como Princípio Educativo; Intelectual Orgânico.

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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2018.7120



 

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