O ESTÁGIO CURRICULAR NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: REVISITANDO O DEBATE

Meyre-Ester Barbosa de Oliveira

Resumo


Neste trabalho busco problematizar o papel do estágio curricular na formação docente, a partir da análise dos sentidos produzidos sobre esta atividade no curso de Pedagogia da Faculdade de Educação/UERN. Assim, interrogo: que sentidos sobre o estágio são propostos no Projeto Pedagógico do Curso? Que traduções são produzidas pelos que vivenciam esta atividade acadêmica? Que sentidos são provisoriamente estabilizados? Com efeito, apresento uma análise sobre formações discursivas de professores e alunos do curso em foco, identificando os núcleos de sentido e recorrência na significação que permitem compreender a estabilização de sentidos sobre o estágio curricular supervisionado. Para tanto, tomo como material empírico o Projeto Pedagógico do Curso, visando à análise da concepção e proposta de estágio e textos produzidos por alunos e professores do curso de Pedagogia por ocasião do I Seminário de Avaliação da Formação do Pedagogo no Curso de Pedagogia da UERN - SEMAPED. O trabalho se articula com a pesquisa que venho desenvolvendo no âmbito do curso de Doutorado em Educação, na qual busco compreender no processo de produção da política curricular a micropolítica institucional, as produções de sentidos e as traduções para as políticas de formação de professores. Apoiando-me na compreensão do currículo como espaço fronteiriço de enunciação cultural (MACEDO, 2006; FRANGELLA, 2009) e como um discurso que constrói sentidos (LOPES e MACEDO, 2011), proponho pensar que o currículo constitui o conjunto de discursos que estabelece sentidos, sempre contingentes, num movimento contínuo de construção/desconstrução, não havendo, portanto, a possibilidade de correspondência entre proposta e prática, tampouco de bloquear a significação.

 


Palavras-chave


Estágio Curricular. Formação de Professores. Traduções. Produções de Sentidos.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2017.5760



 

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