POLÍTICA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES: A INGERÊNCIA DOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS NO BRASIL A PARTIR DA DÉCADA DE 1990

Lourdes Rafaella Santos Florencio, Lia Machado Fiuza Fialho, Nadja Rinelle Oliveira de Almeida

Resumo


O trabalho tem como objetivo analisar as atuais concepções sobre a formação docente brasileira, tendo como mote as reformas educacionais empreendidas a partir da década de 1990, as quais se acredita que foram abalizadas por organismos internacionais. Para tanto, exploraram-se as orientações contidas em documentos publicados pelos organismos multilaterais, em particular os que se dedicam à Educação, e também a legislação educacional vigente. O ensaio ampara-se teoricamente em autores como Cury (1996), Evangelista (2014), Freitas (2011, 2013), Frigotto (2013), Leher (1998), Libâneo, Oliveira e Toschi (2012), Shiroma, Moraes e Evagelista (2004),Torres (2001), dentre outros. Como resultado da investigação, pode-se intuir que as atuais políticas educacionais voltadas para a formação de professores no Brasil atendem em muito às recomendações constatadas nas orientações dos organismos internacionais. Compreende-se que as muitas ações e normatizações do sistema educacional brasileiro, incluindo a formação dos profissionais da educação, notadamente a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e, em certa medida, de seus sucessores presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016), tratam de uma continuidade no alinhamento ao projeto neoliberal de construção de um molde genérico e abstrato de Educação para os países periféricos.


Palavras-chave


Política educacional; Formação de professor; Organismos internacionais

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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2017.5757



 

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