AVALIAÇÃO EX POST DA POLÍTICA PÚBLICA PROEJA NO IFBA CAMPUS SANTO AMARO (BA)

Tânia Maria Dantas Flores

Resumo


A política pública PROEJA – Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos –EJA- objetiva oferecer oportunidade de estudos àqueles que não tiveram acesso ao ensino médio na idade regular, constitui-se numa política pública de inclusão social. O presente trabalho consiste numa avaliação ex post dessa política no IFBA - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – campus Santo Amaro – BA, curso Técnico em Segurança do Trabalho, com o objetivo de averiguar se e em que medida a sua execução favorece a inclusão socioeducacional do público da EJA, no sentido de contribuir para a integração sociolaboral desses cidadãos e cidadãs. Optamos pela corrente filosófica do materialismo histórico dialético, baseada nas ideias de Marx e Engels, cujas categorias teóricas são fundamentais para compreendermos as contradições inerentes ao processo histórico atual. Elegemos três categorias empíricas de análise: condições de acesso, permanência e conclusão do público-alvo. Aliamos dados quantitativos e qualitativos, coletados através de entrevistas semiestruturadas com as testemunhas-chave da instituição e atividade de Grupo Focal com os estudantes. Constatamos que a forma como a política vem sendo executada consiste numa nova negação dos direitos denegados aos sujeitos da EJA. O objetivo é apontar as nuances que já se apresentam em termos de desvios, distorções, exclusão e negação de direitos devido ao modo de execução da política.

 



Palavras-chave


Política Pública; PROEJA; Educação; Exclusão; Inclusão

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Referências


Barros e Mendonça (1995) afirmam que, cada ano de escolaridade adicional tende a elevar o nível salarial de um trabalhador em aproximadamente 15%. Ainda segundo esses autores, é difícil imaginar políticas de combate à desigualdade salarial no Brasil que possam ter um poder comparável ao das políticas educacionais voltadas para a redução da desigualdade educacional.

Os jovens e adultos da EJA são uma denúncia clara da distância intransponível entre as formas de vida a que é condicionada a infância, adolescência e juventude populares e a teimosa rigidez e seletividade de nosso sistema escolar. Olhar-se no espelho das trajetórias dos jovens e adultos que voltam à EJA talvez seria uma forma do sistema reconhecer a distância intransponível. Não foi a EJA que se distanciou da seriedade do sistema escolar, foi este que se distanciou das condições reais de vida dos setores populares. (ARROYO, 2005, p. 48-49)

Avaliação é uma análise ponderada e sistemática (“sistematic assessment”) da operação e/ou dos resultados de uma política ou um programa, em confronto com um conjunto de padrões implícitos ou explícitos, tendo como objetivo contribuir para o aperfeiçoamento desse programa ou política. (WIESS, 1998, p. 4)

a unidade dos paradigmas da abordagem quantitativa e qualitativa em pesquisa nas ciências humanas e da educação. Assumimos, então, uma perspectiva dialética entre quantidade e qualidade, por entendermos que essa interação concorre para a validação dos nossos resultados. (OLIVEIRA, 2007)




DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2017.5756



 

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