EXÍLIO E HISTÓRIA: UMA PERSPECTIVA DO OFÍCIO DO HISTORIADOR A PARTIR DO ATLÂNTICO NEGRO

Marcos Vinícius Lustosa Queiroz

Resumo


O artigo pretende examinar a figura do “exilado” e suas respectivas contribuições para o ofício de historiador no regime de historicidade da modernidade. Para tanto, primeiramente e a partir das abordagens de Charles Baudelaire e da Paris do século XIX feitas por Walter Benjamin, serão analisadas as qualidades desse tempo histórico e os desafios que ele traz para a historiografia. Em um segundo momento, recuará e perceberá a categoria do “exílio” como inerente aos processos políticos e culturais do Atlântico Negro, bem como às perspectivas e às narrativas distintivas produzidas pela diáspora negra em seu trânsito pela modernidade-colonialidade. Espera-se, assim, que a exploração da ideia de “exílio”, ancorada nas experiências de negros e negras no mundo atlântico, forneça um arcabouço instrumental para se pensar a história e o historiador na contemporaneidade.


Palavras-chave


história; exílio; Atlântico Negro; modernidade; colonialidade

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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2018.4866



 

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