CAPACITAÇÃO DE CRIANÇAS COM DIFICULDADES INTELECTUAIS PARA BOAS PRÁTICAS ALIMENTARES

Maria Aurora Boné, Jorge Bonito, Vítor Caldeira

Resumo


A obesidade é considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia do século XXI. Existe evidência científica suficientemente forte que associa as práticas alimentares à obesidade. Os estudos acerca dos hábitos alimentares entre a população com necessidades educativas especiais escasseiam, em Portugal. Este trabalho parte do pressuposto que a capacitação de pessoas com dificuldades intelectuais contribui favoravelmente para as suas escolhas alimentares. Desenvolveu-se com seis alunas institucionalizadas, do terceiro ciclo do ensino básico português, com dificuldades intelectuais, de um agrupamento de escolas do distrito de Portalegre (Portugal), no ano letivo de 2013/2014. Fez-se avaliação antropométrica e observação não participante dos sujeitos, relativamente aos seus hábitos e às suas práticas alimentares, em ambiente escolar. A análise da informação permitiu elaborar um plano de capacitação para escolhas alimentares saudáveis, desenvolvido em função da especificidade de cada sujeito. Os resultados apontam para uma alteração nos comportamentos alimentares no período imediatamente decorrente à implementação do programa de capacitação.


Palavras-chave


alimentação saudável, dificuldades intelectuais, capacitação, educação para a saúde

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Legislação Consultada

Lei Constitucional nº 1/2005, de 12 de agosto

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Decreto-Lei nº 3/2008, de 7 de janeiro

Decreto-Lei nº 319/1991, de 23 de agosto

Despacho nº 2506/2007, de 20 de fevereiro




DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2015.2738



 

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