ESCOLA DIFERENCIADA GUARANI: ENTRE O VIVER SEMINAL E O VIVER OCIDENTAL

Raquel Maria de Oliveira Viçosa, Ana Luisa Teixeira de Menezes

Resumo


A construção das escolas diferenciadas da tradição Guarani tem representado um desafio para suas aldeias no interior do Rio Grande do Sul, bem como para as escolas rurais que acompanham esse processo e as universidades envolvidas. Partindo da observação e convivência com duas aldeias indígenas, a de Estrela Velha e a de Salto do Jacuí (investigando infâncias e educação Guarani), encontramos três escolas: a Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Guarani, em Salto do Jacuí; a Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Karaí Tata Endy Vera Claudio Acosta, em Estrela Velha, e profissionais da Escola Itaúba, situada no município de Estrela Velha, na qual possuem 6 estudantes indígenas. As duas primeiras estão sendo construídas nas aldeias e trabalham até o quinto ano do Ensino Fundamental. Enquanto são construídas, as crianças saem para escolas não indígenas. Em ambas as escolas diferenciadas, existem professores indígenas e não indígenas que ensinam principalmente língua Guarani, Português e Matemática, situadas no interior do Rio Grande do Sul. Nesse processo, nas duas aldeias, estão implicados lideranças indígenas, crianças e jovens das aldeias, professores Guarani e não indígenas, diretores da rede Estadual de Educação, Karai1 e KunhãKarai, estudantes e pesquisadores do Mestrado em Educação da Universidade de Santa Cruz – UNISC/RS2 , que juntos desenvolvem uma pesquisa-ação e etnográfica que vem acontecendo desde o início de 2013 de modo compartilhado e negociado através do diálogo e da escuta do que pensamos e queremos como escola diferenciada em cada aldeia Guarani. Apresentaremos as observações e diálogos que emergem do pesquisar conjuntamente e que produziram reflexões teóricas acerca do pensar, do viver seminal e ocidental.

Palavras-chave


Escola diferenciada; Educação Guarani; Pensamento siminal

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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2015.2430



 

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