METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE DANOS AMBIENTAIS DO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO EM BENTO RODRIGUES (MG)

Thamyres Rocha Oliveira, Vanessa Silva de Oliveira, Marília Pontes, Matheus Pereira Libório, Renato Moreira Hadad, Sandro Laudares

Resumo


Em novembro de 2015 ocorreu um dos maiores desastres ambientais já registrados em Minas Gerais e no Brasil, o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão. Neste estudo, o objetivo é mensurar a área atingida mais próxima ao rompimento da barragem para quantificar os impactos gerados ao meio ambiente. Para isso, foram utilizadas ferramentas, técnicas e softwares de geoprocessamento para georreferenciar, tratar, classificar e analisar imagens na região do desastre em diferentes períodos. A metodologia aplicada permite medir a área do impacto e consequentemente avaliar os danos ambientais causados pelo desastre não natural. Com base na área de projeto deste estudo, a lama de rejeitos atingiu uma área aproximada de 944 ha, sendo 249,29 ha de vegetação da Mata Atlântica. Afetou também 125,60 ha de uso alternativo do solo. Em relação aos recursos hídricos, foi afetado um total de 21,80 km de cursos d’água, sendo eles: Córrego Santarém, Córrego Vermelho, Rio Gualaxo do Norte, Córrego Mirandinha, Córrego Capião e Córrego Camargo. O uso do geoprocessamento neste estudo atendeu o objetivo proposto, pois com esta tecnologia foi possível mensurar alguns dos danos causados ao meio ambiente após o rompimento da barragem de rejeitos em Bento Rodrigues utilizando imagens de satélite.

Palavras-chave


desastre ambiental, sensoriamento remoto, geoprocessamento

Texto completo:

PDF

Referências


Aragão, R. D., & Almeida, J. D. (2009). Avaliação espaço temporal do uso do solo na área da bacia do Rio Japaratuba–Sergipe através de imagens LANDSAT. Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, 14, 1231-1238.

Araújo, C. B. (2006). Contribuição ao estudo do comportamento de barragens de rejeito de mineração de ferro. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Rio de Janeiro.

Barbosa, M. P., Moraes Neto, J. M., Fernandes, M. F., & Silva, M. J. (2007). Estudo da degradação das terras-município de Picos–PI. Anais XIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Florianópolis, 13, 4357–4363.

Bittar Filho, C. A. (1994). Do dano moral coletivo no atual contexto jurídico brasileiro. Revista de direito do consumidor, 12, 44-62.

BRASIL, C. (1986). Resolução CONAMA No 001 de 23 de Janeiro de 1986. Dispõe Sobre as Diretrizes Gerais Para Uso e Implementação de Avaliação de Impacto Ambiental. Brasileira. Diário Oficial.

Câmara, G., Monteiro, A. M., Fucks, S. D., & Carvalho, M. S. (2002). Análise Espacial e Geoprocessamento. Análise espacial de dados geográficos, Embrapa Cerrados Brasília, 2.

Carvalho, A., Neto, J. M. M., & Lima, V. L. (2011). Diagnóstico da degradação da ambiental da bacia hidrográfica do açude Soledade–Paraíba. Engenharia Ambiental: Pesquisa e Tecnologia, 8(2).

Cerri Neto, M. (2007). Aspectos jurídicos das atividades de defesa civil. Brasília: Secretaria Nacional de Defesa Civil.

Chaves, C. J., Reis, F. A. G. V., do Carmo Giordano, L., Do Amaral, A. M. C., & dos Santos Corrêa, C. V. (2015). Aplicação da compartimentação fisiográfica e da abordagem multitemática para elaboração de mapa geoambiental: estudo de caso nos municípios de Espírito Santo do Pinhal e Santo Antônio do Jardim (SP). Geologia USP. Série Científica, 15(2), 3-24.

Collischonn, W., & Tucci, C. E. (1997). Análise do rompimento hipotético da barragem de Ernestina. Revista Brasileira de Recursos Hídricos, 2(2), 191–206.

Costa Lima, G. (1999). Questão ambiental e educação: contribuições para o debate. Ambiente & sociedade, 2(5), 135-153.

Cruz, Z. Q., Silveira, J. C., & Ribeiro, G. P. (2009). Ensaios de segmentação e classificação digital de uma unidade de conservação com imagens CBERS utilizando o sistema SPRING. Estudo de caso: Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO). Anais do XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Natal: Inpe, 6853-6860.

ESRI. (2006). Environmental Systems Research Institute, ArcGIS Professional GIS for the desktop, version 9.2. Software.

Fenker, E. (2011). Impacto ambiental e dano ambiental. Artigo técnico. Recuperado em 25 de outubro, 2019, de http://www. ambientebrasil. com. br/noticias/index. php3.

Fernandes Neto, S., Silva, T. T. S., & Dos Santos, J. S. (2015). Impactos ambientais causados pela disposição final de rejeitos provindos da mineração de quartzito na Paraíba. In Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia CONTECC.

Força Tarefa, G. da F. (2016). Relatório: Avaliação dos efeitos e desdobramentos do rompimento da barragem de fundão em Mariana-MG.

Galo, M. D. L. B. T., Velini, E. D., Trindade, M. L. B., & Santos, S. C. A. (2002). Uso do sensoriamento remoto orbital no monitoramento da dispersão de macrófitas nos reservatórios do complexo Tietê. Planta Daninha, (20), 7-20.

IBAMA. (2015). Impactos ambientais decorrentes do desastre envolvendo o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. [S.l.].

IBGE. (2001). Introdução ao processamento digital de imagens / IBGE, Primeira Divisão de Geociências do Nordeste. [S.l.: s.n.], 2001. (Coleção Ibgeana; Manuais técnicos em geociências, ISSN 0103-9598). 92 p.

INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. (2008). Regeemy version 0.2.43. Divisão de Processamento de Imagem - INPE. Software.

INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. (2016). Sistema de Processamento de Informações Georreferenciadas – Spring versão 5.4.2. DPI/INPE. 2016. [on line]. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Jardim, W. de F. (2016). O desastre de Mariana é o retrato do Brasil. Recurado em 25 de outubro, 2019, de http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2015/11/23/artigo-o-desastre-de-mariana-e-o-retrato-do-brasil>.

Longhitano, G. A. (2010). VANTS para sensoriamento remoto: aplicabilidade na avaliação e monitoramento de impactos ambientais causados por acidentes com cargas perigosas (Doctoral dissertation, Universidade de são Paulo).

Lorenzeto, R. (2006). Mapa de localização do Município de Mariana. Recuperado em 25 de outubro, 2019, de em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mariana#/media/Ficheiro:MinasGerais_Municip_Mariana.svg.

Marcelino, E. V., Nunes, L. H., & Kobiyama, M. (2006). Mapeamento de risco de desastres naturais do estado de Santa Catarina. Caminhos de Geografia, 7(17).

Mariana, P. M. (2016). Localização. Recuperado em 25 de outubro, 2019, de http://pmmariana.com.br/localizacao.

Maskrey, A. (Ed.). (1998). Navegando entre brumas: la aplicación de los sistemas de información geográfica al análisis de riesgos en América Latina. La Red.

Medina, J. (1994). Sistemas de información en las regiones de San Martín y Perú. Desastres y Sociedad, Lima. LA RDE/ITDG, (2), 144-150.

Meneses, P. R., & Almeida, T. D. (2012). Introdução ao processamento de imagens de sensoriamento remoto. Universidade de Brasília, Brasília.

Meneses, P. R., & Sano, E. E. (2012). Classificação pixel a pixel de imagens. Introdução ao processamento de imagens de sensoriamento remoto. Brasília: UnB/Cnpq, 12, 191-208.

Mora, S., & Keipi, K. (2006). Disaster risk management in development projects: models and checklists. Bulletin of Engineering Geology and the Environment, 65(2), 155-165.

Moura, G. S. S., Barbosa, M. P., de Moura, C. S., de Araújo, A. E., de Moura, A. E. S. S., & de Souza, M. M. P. (2005). Uso de imagens TM/Landsat-5 na avaliação da degradação ambiental e riscos a desastres ENSO, no Município de Sumé–PB. Anais do XII Simpósio brasileiro de sensoriamento remoto, Goiânia-INPE.

Pegoraro, A. J., Gubiani, J. S., & Philips, J. W. (2013). Veículo aéreo não tripulado: uma ferramenta de auxílio na gestão pública. In Proc. Symp. Argentine of Informatics and Law, 177-187.

Petta, R. A., Castelani, R., OA Filho, F., Meyer, M., Duarte, C. R., & Silva, N. L. (2005). Uso do Geoprocessamento (SR e SIG) em mapeamentos Ambientais de áreas de exploração de petróleo na Bacia Potiguar (RN). In Anais do 2 Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás.

Pimentel, T. (2016). Excesso de água em barragem provocou rompimento, diz Polícia Civil. Recuperado em 25 de outubro, 2019, de http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/ noticia/2016/02/excesso-de-agua-em-barragem-provocou-rompimento-diz-policia-civil.html.

Pinto, W. D. P., Lima, G. B., & Zanetti, J. B. (2015). Análise comparativa de modelos de séries temporais para modelagem e previsão de regimes de vazões médias mensais do Rio Doce, Colatina-Espírito Santo. Ciência e Natura, 37(4), 1-11.

Saito, S. M., Sausen, T. M., Lacruz, M. S. P., Madruga, R., & Junior, E. D. R. L. (2011). Avaliação dos desastres naturais ocorridos no Rio Grande do Sul em 2008. XV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto–SBSR.

Samarco. (2015). Sobre a Samarco. Recuperado em 25 de outubro, 2019, de http://www.samarco.com/ institucional/a-empresa.

Sanchéz, L. E. (2015). Avaliação de impacto ambiental. [S.l.]: Oficina de Textos.

Santos, A. D., Peluzio, T. D. O., & Saito, N. S. (2010). Spring 5.1. 2: Passo a passo: Aplicações práticas. Alegre, ES: CAUFES.

Silva, J. (2009). Mapeamento de inundações no Brasil: proposta de gestão ambiental através de um sistema de informações geográficas. IX Seminário de pós-graduação em geografia da UNESP Rio Claro.

Silva, J. P. S. (2007). Impactos ambientais causados por mineração. Revista espaço da Sophia, 8(1), 1-13.

Sousa, R. F., Barbosa, M. P., Neto, C. P. C. T., de Paula Carvalho, A., & de Lima, A. N. (2008). Uso de geotecnologias no diagnóstico da degradação das terras do município de São João do Cariri-PB. Revista Caatinga, 21(1), 204-210.

Sousa, R., Barbosa, M., Guimarães, C., & Carvalho, A. (2007). Avaliação das classes de cobertura vegetal e mapeamento do uso atual dos solos no município de Itaporanga-PB. Engenharia Ambiental: Pesquisa e Tecnologia, 4(1), 80-88.

USGS, United States Geological Survey. (2016). What are the best Landsat spectral bands for use in my research?. Disponível em: //www.usgs.gov/faqs/what-are-best-landsat-spectral-bands-use-my-research?qt-news_science_products=0#qt-news_science_products/>. Acesso em: 30 de abril, 2016.

Zerger, A., & Smith, D. I. (2003). Impediments to using GIS for real-time disaster decision support. Computers, environment and urban systems, 27(2), 123-141.




DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2019.6187



 

HOLOS IN THE WORLD