UM ESTUDO DE CASO COM ESTUDANTES EM CURSO FIC PRONATEC ENVOLVENDO CONHECIMENTOS SOBRE PROBLEMAS SOCIAIS E AMBIENTAIS

João Franciso Fernandes Pouey, Luís Fernando da Silva Laroque

Resumo


As políticas públicas para a formação profissional tiveram significativo investimento no primeiro governo Dilma no Brasil e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), alcançou a meta de oito milhões de matriculas em cursos técnicos de grau médio ou de formação inicial e continuada (FIC). O objetivo do estudo é identificar se a capacitação técnica dos cursos FIC foi desenvolvida juntamente com a formação social e política dos estudantes com vista aos conhecimentos dos problemas sociais e ambientais.  A pesquisa é qualiquantitativa e os procedimentos metodológicos constitui-se na aplicação de questionários em uma amostragem com 10 estudantes do curso de capacitação ou FIC do Pronatec - área da construção civil de Mestre de Obras no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), câmpus Pelotas, Rio Grande do Sul. Consultou-se documentos, tais como Projeto Político Pedagógico, matriz curricular, conteúdos programáticos e a legislação sobre o Pronatec, os quais foram analisados com base em autores que tratam da educação profissional, educação ambiental e construção civil e ambiente. Constatou-se que o curso propicia pouca quantidade de conhecimento sobre a problemática ambiental e fazem parte dos conteúdos somente de uma disciplina, enquanto deveriam ser trabalhados de maneira transversal.

Palavras-chave


Pronatec, educação técnica, construção civil, problemática social e ambiental.

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Referências


[...] poder-se-ia entender o Pronatec como o sucessor dos programas de qualificação profissional do governo federal, porém, o que se verifica é a continuidade desarticulada de ações como o Proeja, o Projovem e o PNQ (o Brasil Profissionalizado foi desativado).

[...] o pagamento de bolsas de qualificação em programas como o Pronatec, boa parte de seu público que se enquadra também como alvo do Projovem pode neste programa usufruir de tal benefício, mostrando o problema da competição (CAMPOS, 2012, p. 7).

Compreende tecnologias relacionadas à construção civil e ao transporte. Contempla ações de planejamento, operação, manutenção, proposição e gerenciamento de soluções tecnológicas para infraestrutura. Abrange obras civis, topografia, transporte de pessoas e bens, mobilizando, de forma articulada, saberes e tecnologias relacionadas ao controle de trânsito e tráfego, ensaios laboratoriais, cálculo e leitura de diagramas e mapas, normas técnicas e legislação. Características comuns deste eixo são a abordagem sistemática da gestão da qualidade, ética, segurança, viabilidade técnico-econômica e sustentabilidade (MEC Pronatec, 2013).

Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, Lei nº 9.795/1999, art. 1º).

A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal (BRASIL, Lei nº 9.795/1999, art. 2º).

A pedagogia da cidadania ambiental da era planetária extrapola, em consequência, os estreitos limites da educação tradicional centrada na lógica da competição e acumulação, e na produção ilimitada de riqueza sem considerar os limites da natureza e as necessidades dos outros seres do cosmos.

Um aspecto básico da planetariedade é sentir e viver o fato de que fazemos parte constitutiva da Terra: esse ser vivo e inteligente que pede de nós relações planetárias, dinâmicas e sinérgicas (GUTIÉRREZ; PRADO, 2008, p. 38).

A construção civil é uma atividade de fundamental importância na constituição das necessidades do homem e no benefício da civilização, independentemente do modo de produção em que se desenvolve. Devido a esta importância e interferência que provoca na sociedade, precisa ser repensada, principalmente no Brasil, onde o desemprego, subemprego e a distribuição de renda são problemas sociais crônicos (POUEY, 2012, p. 79).

A bem dizer, a palavra “ensino” não me basta, mas a palavra “educação” comporta um excesso e uma carência. Neste livro, vou deslizar entre os dois termos, tendo em mente um ensino educativo.

A missão desse ensino é transmitir não o mero saber, mas uma cultura que permita compreender nossa condição e nos ajude a viver, e que favoreça, ao mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre (MORIN, 2003, p. 11).

[...] merecem destaque os conteúdos relativos às novas formas de organização e gestão dos processos produtivos e das novas relações sociais por estes determinadas, incluindo-se ai os novos processos de qualidade, não exclusivamente inscritos no âmbito da produtividade, mas principalmente no âmbito da qualidade de vida de toda as dimensões, compreendendo a preservação do ambiente; os conteúdos relativos aos novos instrumentos de gestão e controle do trabalho; as transformações que estão sendo propostas para a legislação trabalhista e previdenciária; as novas formas da organização da economia e dos trabalhadores como alternativas às antigas formas de enfrentamento das condições entre capital e trabalho; as novas demandas de educação geral e profissional para os trabalhadores; os impactos das novas tecnologia sobre a saúde a segurança em geral e no trabalho e assim por diante (KUENZER, 2001, p. 7).

Assim, pensa o ser humano em sua peculiaridade (atividade transformadora da natureza na história, gerando cultura), na qual a relação “eu-mundo” se dá por mediações criadas na vida em sociedade. Logo, em Educação Ambiental, segundo a perspectiva marxiana, pensar em mudar comportamentos, atitudes, aspectos culturais e formas de organização, significa pensar em transformar o conjunto das relações sociais nas quais estamos inseridos, as quais constituímos e pelas quais somos constituídos, o que exige, dentre outros, ação política coletiva, intervindo na esfera pública, e conhecimento das dinâmicas social e ecológica (LOUREIRO, 2004, p. 122).

Este é um curso para aperfeiçoamento de pessoal que atua em canteiro de obra compreendendo tecnologias relacionadas à construção civil. Abrange obras civis, mobilizando, de forma articulada, saberes e tecnologias relacionadas às atividades do profissional no canteiro de obras civis. O curso terá abordagem sistemática da gestão da qualidade, ética, segurança, conhecimento de materiais, normas técnicas, práticas construtivas e sustentabilidade (IFSul – PPC Mestre de Obras, 2012, p. 3).

No Brasil, a educação profissional sempre esteve associada a um conceito de formação estritamente relacionado ao fazer, refletindo uma cultura que segmenta a sociedade entre os que avançam para ensino superior e os que irão para o mundo do trabalho com as qualificações mínimas necessárias. No entanto, com os avanços científicos e tecnológicos, não faz mais sentido sustentar esta visão. A característica marcante da educação profissional e tecnológica é a associação entre teoria e prática. Mas para compreender a teoria é preciso que o processo formativo leve em consideração a base humanística, científica e tecnológica necessária, para que se possa desenvolver a dimensão prática do trabalho, a condição para iniciar uma carreira profissional e ainda a base para continuar os estudos em nível de graduação e pós-graduação (FERES, 2015, s/p).




DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2019.4222



 

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