VIOLÊNCIA SIMBÓLICA, LESBOFOBIA E TRABALHO: UM ESTUDO EM JUIZ DE FORA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15628/holos.2017.5871

Palavras-chave:

gênero, homofobia, lesbofobia, violência simbólica, lesbianidades

Resumo

O objetivo do presente artigo é analisar as violências simbólicas nas vivências de lésbicas com destaque para o trabalho. Para tal, tratamos teoricamente da violência simbólica conforme Pierre Bourdieu e trouxemos uma discussão sobre a lesbofobia na sociedade e trabalho, bem como os estereótipos e a invisibilidade que envolvem essa identidade. Então, entrevistamos seis lésbicas de Juiz de Fora pela história oral enfatizando suas trajetórias profissionais e tratamos os dados pela análise de conteúdo qualitativa temática. Considerando o trabalho, as violências simbólicas são extremamente sutis e ocorrem como no caso da internalização da heteronormatividade e do silêncio acerca da sexualidade, avisos com normas de comportamento, comentários e indiretas que remetem aos estigmas associados às lésbicas em seu cotidiano. Assim, é importante uma discussão crítica visando uma real aceitação e inclusão das diferenças na sociedade e nas organizações.

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Biografia do Autor

Henrique Luiz Caproni Neto, UFMG

Graduado em Adminstração e Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Federal de Juiz de Fora. É mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais

Renata de Almeida Bicalho, UFJF

Doutora em Administração pela UFMG. Professora da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFJF.

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Publicado

19/09/2017

Como Citar

Caproni Neto, H. L., & Bicalho, R. de A. (2017). VIOLÊNCIA SIMBÓLICA, LESBOFOBIA E TRABALHO: UM ESTUDO EM JUIZ DE FORA. HOLOS, 4, 249–265. https://doi.org/10.15628/holos.2017.5871

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