EXÍLIO E HISTÓRIA: UMA PERSPECTIVA DO OFÍCIO DO HISTORIADOR A PARTIR DO ATLÂNTICO NEGRO

Autores

  • Marcos Vinícius Lustosa Queiroz Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.15628/holos.2018.4866

Palavras-chave:

história, exílio, Atlântico Negro, modernidade, colonialidade

Resumo

O artigo pretende examinar a figura do “exilado” e suas respectivas contribuições para o ofício de historiador no regime de historicidade da modernidade. Para tanto, primeiramente e a partir das abordagens de Charles Baudelaire e da Paris do século XIX feitas por Walter Benjamin, serão analisadas as qualidades desse tempo histórico e os desafios que ele traz para a historiografia. Em um segundo momento, recuará e perceberá a categoria do “exílio” como inerente aos processos políticos e culturais do Atlântico Negro, bem como às perspectivas e às narrativas distintivas produzidas pela diáspora negra em seu trânsito pela modernidade-colonialidade. Espera-se, assim, que a exploração da ideia de “exílio”, ancorada nas experiências de negros e negras no mundo atlântico, forneça um arcabouço instrumental para se pensar a história e o historiador na contemporaneidade.

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Biografia do Autor

Marcos Vinícius Lustosa Queiroz, Universidade de Brasília

Bolsista de Doutorado Sanduíche na Facultad de Ciencias Humanas da Universidad Nacional de Colombia, Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias do Nascimento - CAPES. Doutorando em Direito pela Universidade de Brasília. Mestre em Direito pela Universidade de Brasília. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília. É membro do Centro de Estudos em Desigualdade e Discriminação - CEDD/UnB, do Maré - Núcleo de Estudos e Pesquisa em Cultura Jurídica e Atlântico Negro, do Grupo de Pesquisa Desafios do Constitucionalismo e do Grupo de Investigación sobre Igualdad Racial, Diferencia Cultural, Conflictos Ambientales y Racismos en las Américas Negras - IDCARÁN.

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Publicado

09/02/2018

Como Citar

Lustosa Queiroz, M. V. (2018). EXÍLIO E HISTÓRIA: UMA PERSPECTIVA DO OFÍCIO DO HISTORIADOR A PARTIR DO ATLÂNTICO NEGRO. HOLOS, 1, 246–258. https://doi.org/10.15628/holos.2018.4866

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