EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL E COMUNIDADE TERAPÊUTICA PARA DEPENDENTES QUÍMICOS: ARTICULAÇÃO DE PROCESSOS EDUCATIVOS EM PRÁTICAS SOCIAIS

Maria Cecília Luiz, Ronaldo Martins Gomes

Resumo


Este artigo reflete sobre a articulação de processos sócio educativos em ambientes como Comunidades Terapêuticas que trabalham na recuperação de adolescentes e jovens dependentes químicos, no período (mínimo) de seis meses a um ano, com liberdade restringida. O objetivo do tratamento é de integrar esses indivíduos na sociedade, e fazê-los rever valores interiores (crenças, objetivos etc.) e exteriores (grupos de convívio, ações no coletivo etc.), por meio da educação não-formal. Esse estudo se justifica, na medida em que existe um aumento do número de dependentes químicos, e também de educadores (monitores) sem maiores conhecimento sobre os enfrentamentos deste problema na perspectiva da educação não-formal. A expectativa é que o residente ao sair da Comunidade Terapêutica, por meio do programa de tratamento tenha condições de rever suas ações segundo parâmetros diferentes dos que o conduzia antes da internação. O tratamento segue alguns pressupostos básicos, com vistas a originar reflexão sobre a capacidade de entender, querer e superar o uso das substâncias psicoativas, isto é, tomar decisões e desenvolver seu projeto de vida. A Comunidade Terapêutica deve refletir constantemente sobre questões a serem evitadas, como: falta de formação continuada para os educadores (monitores); desrespeito à legislação trabalhista; uso criminoso de medicações controladas, e quadros de práticas de violências (simbólicas e/ou de fato), pois ela surgiu como alternativa às rígidas estruturas do sistema psiquiátrico. Se a Comunidade Terapêutica não tiver essa preocupação em repensar-se, a partir de suas práticas, dificilmente, poderá ser uma alternativa útil à sociedade.

Palavras-chave: Educação não-formal; Comunidade terapêutica, processos educativos para dependente químico.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2015.1645



 

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