CRISE HEGEMÔNICA E MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL: PARA UM PROJETO POLÍTICO-IDEOLÓGICO DOS MOVIMENTOS NEGROS

Autores

  • EDILVAN MORAES LUNA UFCG.
  • CLESSIANA OLIVEIRA LOPES URCA

DOI:

https://doi.org/10.15628/dialektike.2016.5550

Resumo

Na atualidade, observa-se que muitas leituras feitas acerca dos contextos de manifestações de movimentos sociais se inserem dentro de uma perspectiva de políticas de identidade e de reconhecimento cultural em detrimento da justiça distributiva. Contudo, longe de concordamos com esta substituição, nossa hipótese é que o deslocamento substitutivo da justiça distributiva pelo reconhecimento cultural limita e enfraquece a própria ação dos movimentos sociais, já que ambos são faces de uma mesma moeda, de forma que a ausência de um compromete a existência de outro. A partir do pensamento de Gramsci, desenvolveremos uma leitura da questão racial no Brasil a partir da relação entre movimentos sociais negros, Estado e sociedade civil. Nosso objetivo é demonstrar que a concretização de uma verdadeira democracia racial passa pela estratégia dos movimentos de construírem um projeto político-ideológico contra-hegemônico, ocupando, dentro da lógica gramsciana de guerra de posição, espaços na esfera da sociedade civil.

Biografia do Autor

EDILVAN MORAES LUNA, UFCG.

Mestrado em Ciências Sociais pela UFCG.

CLESSIANA OLIVEIRA LOPES, URCA

Estudante em Ciências Sociais pela URCA

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Publicado

2016-06-13

Edição

Seção

Artigos