CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA E AMBIENTAL DOS RESIDENTES DO IGARAPÉ SANTA CRUZ, BREVES, ARQUIPÉLAGO DE MARAJÓ, PARÁ, BRASIL

João Raimundo Alves Marques, Ana Lúcia Nunes Gutjahr, Carlos Elias de Souza Braga

Resumo


Os problemas socioeconômicos e ambientais decorrentes da ocupação desordenada nas periferias das cidades, favorecem péssimas condições de vida. Nesse cenário, torna-se importante o desenvolvimento de estudos que descrevam as condições de vida das pessoas e o grau de degradação ambiental, ao qual estão sujeitas. Assim, este estudo busca diagnosticar os aspectos socioeconômicos e ambientais dos residentes das margens do igarapé Santa Cruz que se encontra na área periférica do município de Breves, Pará. O estudo é de abordagem quantitativa e de pesquisa descritiva, no qual foi utilizado um questionário para o levantamento das informações do perfil socioeconômico e ambiental de 257 famílias, moradoras do igarapé Santa Cruz. Os resultados mostraram que a maioria dos habitantes (57,30%) possuem o Ensino Fundamental incompleto; 72,36% recebem menos de 1 salário mínimo, a principal ocupação é o trabalho informal, 7,82% vivem em residências construídas de madeira, 68,09% das famílias utilizam a água do igarapé para o uso doméstico, 48,64% das residências apresentam destino sanitário para fossas secas e 13,62% o destino sanitário é direto no igarapé. Nesse contexto, os residentes vivem em condições propícias de exclusão social, insalubridade e doenças, devido às péssimas condições socioeconômicas, ambientais e de infraestrutura. Portanto, o diagnóstico das condições de vida da população residente no igarapé Santa Cruz, indica que essas pessoas vivenciam condições de miséria e abandono.


Palavras-chave


Socioeconomia; Meio ambiente; Ocupação desordenada; Amazônia

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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2021.6919



 

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