PANDEMIA DA COVID-19 COMO FENÔMENO INTEGRAL E CENTRAL NA EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS

João Otavio Garcia, Lucas Albuquerque do Nascimento, Pâmela Andreza Padilha, Karina Smania De Lorenzi, Marcelo Gules Borges

Resumo


O presente artigo discute a pandemia da COVID-19 como um fenômeno integral, o qual é formado não somente pelo vírus em si, mas sim por toda a gama de relações e atividades emergentes a partir deste fenômeno. Temos como objeto de análise a Educação em Ciências, especialmente as formas como esta vêm se desenvolvendo na situação pandêmica. Nesse sentido, apontamos a necessidade de compreender a atual pandemia, levando em consideração não somente a microfauna do vírus causador, mas sim a pandemia enquanto questão social. Diante desse cenário, em termos educacionais, surgiu o que se denominou de “atividade remota emergencial” e mesmo com o uso da tecnologia é necessário destacarmos que nenhuma tecnologia, por melhor e mais desenvolvida que seja, suprirá o trabalho de um professor, ou melhor, o contato e o sentido humano não podem ser substituídos. Em relação às atividades educacionais em ciências, as mesmas devem ir além de uma mera “transmissão de conteúdos”, ou seja, uma Educação em Ciências para o desenvolvimento de possibilidades concretas de emancipação humana, por meio de Discussões Sobre Ciências. Por fim, consideramos que não estaremos reconstruindo do início a cultura humana em um mundo pós-pandêmico, mas sim continuando a desenvolver movimentos de resistência e lutas engajadas em atividades de transformação a partir de uma Educação em Ciências atenta para questões de justiça social.


Palavras-chave


Pandemia, Educação em Ciências, Fenômeno, Atividade, Justiça Social.

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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2021.11634



 

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