MULTIPLICAÇÃO IN VITRO DE PALMAS FORRAGEIRAS Opuntia stricta (Haw.) E Nopalea cochenillifera (L.) Salm-Dyck PARA CULTIVO NO SEMIÁRIDO DO RIO GRANDE DO NORTE / IN VITRO MULTIPLICATION OF CACTUS PEAR Opuntia ficus-indica (L.) Mill FOR CULTIVATION IN THE SEMIARID OF RIO GRANDE DO NORTE

Maria de Fátima Batista Dutra, Magdi Hamed Ibrahim Alloufa, Natoniel Franklin de Melo, José Ivan Pereira Leite

Resumo


A propagação em laboratório de variedades de palma forrageira selecionadas e tolerantes a cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae) é uma alternativa viável para a conservação e uso sustentável de espécies adaptadas ao bioma caatinga, particularmente cactáceas. O objetivo da presente pesquisa foi testar o efeito de diferentes meios de cultura in vitro na produção de dois genótipos de palma forrageira, tolerantes a cochonilha-do-carmim, utilizando a biotecnologia como ferramenta para multiplicação rápida. Fragmentos de cladódios das duas variedades de palma, miúda e orelha de elefante, foram cultivados em meio de cultura MURASHIGE & SKOOG 1962, contendo reguladores de crescimento em concentrações que variaram de 0,0 a 2,0 mg.L-1 de BAP e de 0,0 a 0,25 mg.L-1 de ANA ou AIA, com delineamento experimental inteiramente casualizado em dois experimentos (um para cada variedade), sendo: 15 tratamentos de 3 doses de auxinas (AIA ou ANA) x 5 doses da citocinina e 5 repetições. As culturas foram mantidas em sala de crescimento com temperatura controlada 25 ± 2ºC, sob fotoperíodo de 16/8 horas de luz/escuro e umidade relativa de 70%. As avaliações foram realizadas aos 120 dias. Quando submetemos os explantes a primeira bateria de testes (BAP x AIA), verificou-se que não houve influência na altura, número de brotos ou número de raízes para ambas as variedades, já na segunda bateria (BAP x ANA) houveram respostas diferentes de acordo com a combinação de hormônios utilizada. A metodologia aplicada tem o potencial de incrementar o rendimento na multiplicação de materiais genéticos de alto valor para a cultura de palma.


Palavras-chave


conservação;meio ambiente;biotecnologia

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DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2020.10420



 

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