Do corpo como res extensa de Descartes ao corpo próprio de Merleau-Ponty

JOSE ROBERTO GOMES, IRAQUITAN DE OLIVEIRA CAMINHA

Resumo


Este artigo pretende apresentar o percurso que Merleau-Ponty desenvolveu para mostrar a compreensão do corpo como sendo aquele que experimenta sua própria existência e tem consciência de que está no mundo; consciência não como ideia, mas como vivência para o próprio sujeito. O corpo é considerado em sua totalidade. Nosso ponto de partida é a filosofia de Descartes, que diferencia coisa pensante, res cogitans, e coisa material, res extensa. A crítica que Merleau-Ponty faz em relação a Descartes não tem a finalidade de desprezar a ciência e as contribuições de Descartes, mas antes de compreender os limites do mundo objetivo. O objetivo reencontrar no mundo da experiência a relação que constitui o meio de acesso à facticidade do corpo. A noção de corpo próprio em Merleau-Ponty advém fenomenologia, cuja noção de um fenômeno e a noção de experiência coincidem. O corpo é uma dimensão da nossa existência, vivido como uma unidade aberta, inacabada. Desse modo, há uma diferença entre Descartes e Merleau-Ponty, pois enquanto Descartes colocava o corpo como substância Merleau-Ponty o coloca como fenômeno; assim o corpo deixa de ser uma coisa extensa para ser um fenômeno vivido, um fenômeno perceptivo. 


Palavras-chave


Corpo. Fenômeno. Percepção.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.15628/dialektike.2017.5559

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