UTILIZAÇÃO DE PLANTAS ORNAMENTAIS COMO NOVOS INDICADORES NATURAIS ÁCIDO-BASE NO ENSINO DE QUÍMICA

Valdiléia Teixeira Uchôa, Antônio Mardonio Marques de Lima, Rothchild Sousa de Morais Carvalho Filho, Jairo Borges de Assis

Resumo


A química é uma disciplina de caráter teórico-prática, mas vem sendo praticamente repassada na base de teoria, podendo acarretar desinteresse dos alunos. Isso acontece pela falta de estrutura e materiais laboratoriais nas escolas para a realização das práticas. Tal problema pode ser solucionado com a utilização de materiais alternativos para a realização das aulas praticas. A utilização de indicadores naturais ácido-base é uma proposta que vem sendo bastante trabalhada. Os indicadores naturais são substâncias que possuem extratos ricos em antocianinas, apresentando coloração diferente dependendo do meio reacional que sejam inseridas. O objetivo desse estudo foi avaliar a eficácia do extrato aquoso de duas plantas ornamentais a Allamanda cathartica L. e a Codiaeum variegatum (L.) A. Juss. como novos indicadores naturais ácido-base, comparando sua potencialidade com extrato da beterraba (Beta vulgaris L) e do repolho roxo (Brassica oleracea L. var. capitata L.) descritos na literatura. Este estudo começou com a extração do extrato das flores da alamanda-amarela e das folhas do louro variegado, testando em soluções de pH com variação de 1 a 14. Para o teste de estabilidade foram acondicionados 2 amostras de cada extrato: uma a 0 ºC (período de 30 dias) e  a 25 ºC (período de 5 e 10 dias). Os resultados obtidos demonstraram uma boa eficácia dos novos indicadores, apresentando uma estabilidade térmica significativa em comparação com os já presentes na literatura, sendo uma alternativa de fácil aquisição e baixo custo para serem usados nas práticas do conteúdo de ácido-base da disciplina química na Educação Básica.


Palavras-chave


Plantas Ornamentais; Novos Indicadores; Ácido-Base; Estabilidade Térmica

Texto completo:

PDF

Referências


ABE, L. T.; DA MOTA, R. V.; LAJOLO, F. M.; GENOVESE, M. I. Compostos fenólicos e capacidade antioxidante de cultivares de uvas Vitis labrusca L. e Vitis vinifera L. Ciência e Tecnologia de Alimentos, 2007.

BRAINER, M. S. C. P.; OLIVEIRA, A. A. P. Floricultura: perfil da atividade no Nordeste Brasileiro. Fortaleza: Banco do Nordeste. 2007. 351p. (Documentos do ETENE, n. 17).

BRIDLE, P.; TIMBERLAKE, C.F. Anthocyanins as natural food colours – selected aspects. Food Chemistry, v.58, n.1-2, p.103-109, 1997.

CHEYNIER, V. Polyphenols in foods are more complex than often thought. Am J Clin Nutr 2005; 81(1 Suppl): 223S-9S.

CARDOSO, P. H. F.; SILVA, A. S.; COSTA, A. N. S.; SANTOS, J. M. A.; SILVA, P. C. L.; SILVA, R. A. O EXTRATO DE BRASSICA OLERACEA VAR. CAPITATA (REPOLHO ROXO) PARA SUBSTITUIÇÃO DOS INDICADORES CONVENCIONAIS DE pH. Recife, 5º Congresso Brasileiro de Química, 2012. Disponível em: Acesso em: 16 JUN 2015.

COELHO, A. G. Estudo da degradação térmica de antocianinas de extratos de uva (Vitis vinifera L. 'Brasil') e jabuticaba (Myrciaria cauliflora). 2011. 98f. Dissertação (Mestrado em Química Analítica) - UNICAMP, Campinas. 2011.

COOK, N. C.; SAMMAN, S. Review article: Flavonoids-Chemistry, metabolism, cardioprotective effects, and dietary sources. J. Nutr. Biochem., v. 7, p. 66-76, 1996.

CURTRIGHT, R.; RYNEARSON, J. A.; MARKWELL, J. Anthocyanins Model compounds for learning about more than pH. J. Chem. Educ., v.73, n. 4, p.306-309, 1996.

DI CARLO, G.; MASCOLO, N.; IZZO, A. A.; CAPASSO, F. Review article: Flavonoids old

and new aspects of a class of natural therapeutic drugs. Life Sci., v. 65, n. 4, p. 337-353, 1999.

DREOSTI, I. E. Antioxidant polyphenols in tea, cocoa, and wine. Nutrition. n. 692, p. 7-8, 2000.

EMBRAPA. Catálogo brasileiro de hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Brasília: EMBRAPA, 2010. 60 p. Disponível em . Acesso em: 10 JUN 2015.

FALCÃO, A. P. Comportamento reológico e estabilidade de antocianinas de uvas em sistema modelo de geléia. 2006. 91f. Dissertação (Mestrado em Ciências dos Alimentos.) - Universidade Federal de Santa Catarina, Campinas. 2006.

FILGUEIRA, F. A. R. Manual de olericultura: cultura e comercialização de hortaliças. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Agronômica Ceres Ltda., 1982. 357 p. v.2.

FILGUEIRA, F. A. R. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. Viçosa: UFV, 2008. p. 279-299.

FRANCIS, F. J. A new group of foods colourants. Food Science & Technology, v. 3, p. 27-30, 1992.

HARBORNE, J. B.; GRAYER, R.J. The anthocyanins. In: The flavonoids: advances in research since 1980. Chapmam & Hall, London, 1988, p. 1-20.

HARBONE, J. B.; WILLIAMS, C. A. Review: Advances in flavonoid research since 1992. Phytochemistry, v. 55, p. 481-504, 2000.

JACKSON, R. Chemical Constituents of grapes. In: WINE science: principles and applications. London: Academic Press, 1994. p. 178-219

LEE, J.; DURST, R. W.; WROLSTAD, R. E. Determination of total monomeric anthocyanin pigment content of fruit juices, beverages, natural colorants, and wines by the pH differential method: Collaborative study. Journal AOAC International, v. 88, n. 5, p. 1269-1278, 2005.

LIMA, R. Escala de PH e indicadores ácido-base naturais. Disponível em: . Acesso em: 11 JUN 2015.

LOPES, T. J.; XAVIER, M. F.; QUADRI, M. G. N.; QUADRI, M. B. Antocianinas: uma breve revisão das características estruturais e da estabilidade. R. Bras. Agrociência, v.13, n.3, p. 291-297, 2007.

LÓPEZ O.P.; JIMÉNEZ A.R.; VARGAS F.D. et al. Natural pigments: carotenoids, anthocyanins, and betalains – characteristics, biosynthesis, processing, and stability, Critical Reviews Food Science Nutrition, v.40, n.3, p.173-289, 2000.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e exóticas. 1. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 512p. 2002.

LORENZI, H.; SOUSA, H. M. Plantas ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 1092p. 1999.

MARÇO, P. H.; POPPI, R. J.; SCARMINIO, I. S. Procedimentos analíticos para identificação de antocianinas presentes em extratos naturais. Química Nova. v. 31, nº. 5, 1218-1223, 2008.

MARKAKIS, P. Anthocyanin as food colors. New York: Academic Press, Inc., 1982, 263p.

MARTINEZ-FLÓREZ, S.; GONZÁLEZ-GALLEGO, J.; CULEBRAS, J. M.; TUÑON, M. J. Los flavonoides: propiedades y acciones antioxidantes. Nutr. Hosp., v. 17, n. 6, p. 271-278, 2002.

MAZZA, G., MINIATI, E. Anthocyanins in fruits, vegetables and grains. Boca Raton: CRC Press Inc., 362p., 1993.

MUSCHIETTI, L.V.; MARTINO, V.S. Atividades biológicas dos flavonóides naturais. In: YUNES, R.A.; CECHINEL FILHO, V. Química de produtos naturais, novos fármacos e a moderna farmacognosia. Itajaí: Univali, 2007. p. 183-207.

NIJVELDT, R. J.; VAN, N, H.; BOELENS, P. G, VAN, N. K.; VAN, L. P. A. Flavonoids: a review of probable mechanisms of action and potenctial applications. Am J Clin Nutr 2001;74(4):418-25.

OTT, D. B. Manual de laboratório de ciencia de los alimentos. Zaragoza: Acribia S. A., p. 168-174, 1992.

SILVA, G. M. Degradação da antocianina e qualidade sensorial de polpa de Juçara (Euterpe edulis) embalada e submetida à pasteurização. 2012. 91f. Dissertação (Mestrado em Ciências e Tecnologia de Alimentos.) - Universidade de São Paulo, Piracicaba. 2012.

SILVA, K. A. B. S. Caracterização dos efeitos do Plumerídeo, um iridóide isolado de Allamanda cathartica L. (Apocynaceae), em modelos de inflação e dor. Programa de pós graduação CAPES. UFSC/ Farmacologia. Mestrado. 2007.

SOARES, M. H. F. B.; SILVA, M. V. B.; CAVALHEIRO, E. T. G. Aplicação de corantes naturais no ensino médio. Eclética Química, v. 26. p. 98-103, 2001.

SOUZA, V. C.; LORENZI, H. 2008. Botânica sistemática. (2.Ed.) Nova Odessa: Instituto Plantarum.

STASI, L. C.; HIRUMA-LIMA, C. A. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica, 2. ed. São Paulo. UNESP. 604p. 2002.

STRINGHETA, P.C.; Identificação da estrutura e estudo da estabilidade das antocianinas extraídas da inflorescência de capim gordura (Mellinis minutuflora, Pal de Beauv.), Campinas, 1991,138 p. Tese (Doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) – UNICAMP.

TERCI, D. B. L.; ROSSI, A. V. Indicador natural de pH: usando papel ou solução?. Química Nova, v. 25, n. 4, p. 684-688, 2002.

TIVELLI, S. W.; PURQUERIO, L. F. V. Repolho. 2005. Disponível em: . Acesso em: 23 SET 2015.

VITTI, M. C. D.; KLUGE, R. A.; YAMAMOTO, L. K.; JACOMINO, A. P. Comportamento da beterraba minimamente processada em diferentes espessuras de corte. Horticultura Brasileira, Brasília, v. 21, n. 4, p. 623-626, out./dez. 2003.

WANG, W.; XU, S. Degradation Kinetics of anthocyanins in blackberry juice and concentrate. Journal of Food Engineering 82, 271. 2007.




DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2016.3869



 

HOLOS IN THE WORLD