A PRODUÇÃO DE BRIQUETES PARA AMENIZAR A PRESSÃO ANTRÓPICA SOBRE O BIOMA CAATINGA NA REGIÃO DO BAIXO-AÇU POTIGUAR

Silvio Roberto de Lucena Tavares, Marília Amaral de Moura Estevão Tavares, Ivan Targino Moreira

Resumo


Cerca de 98% do território do Rio Grande do Norte estão incluídos nas chamadas Áreas Susceptíveis à Desertificação do Brasil. Na região do Baixo-Açu, o desmatamento sistemático da mata nativa para atender às necessidades do polo ceramista e de outras pequenas indústrias locais tem intensificado o grave quadro de devastação ambiental da região. Este estudo examinou a viabilidade econômico-financeira da produção comercial de briquetes como forma de suprir parte da demanda por lenha e carvão vegetal, mitigando assim os efeitos antrópicos sobre o bioma caatinga. Os briquetes seriam compostos  de resíduos da produção de cera de carnaúba e  de capim-elefante plantado exclusivamente para fins energéticos nas áreas irrigáveis da região. As estimativas de custos de instalação e manutenção da fábrica foram feitas tendo como parâmetros os custos de instalação de uma fábrica-escola em construção no Campus Ipanguaçu do IFRN e os custos de produção de uma fábrica idêntica a esta, em operação há cinco anos, no Estado do Paraná. Os dados foram sistematizados em planilhas do software Make Money, usado na avaliação da viabilidade econômica a partir de aferidores como Valor Presente Líquido, Payback e Taxa Interna de Retorno. Os resultados comprovaram que a produção de biocombustíveis sólidos adensados é viável no Baixo-Açu e pode contribuir de maneira efetiva para a recomposição da mata nativa, além de gerar ocupação e renda para os moradores da região.


Palavras-chave


Biocombustível sólido, desertificação, semiárido, alternativa energética e bioenergia

Texto completo:

PDF

Referências


BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. 1 ed. São Paulo: Atlas, 1989.

BRIGHAM, E. F. et al. Administração financeira: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2001.

CARVALHO O.O. et al. Perfil Industrial da cerâmica vermelha no Rio Grande do Norte. Natal: Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, 2001. CD-ROM.

CARVALHO, F. P. A.de. Eco-eficiência na produção de pó e cera de carnaúba no município de Campo Maior (PI). 157f. Dissertação de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Teresina: Universidade Federal do Piauí, 2005.

COSTA, L.G.A. Conjuntura Agrícola: Rio Grande do Norte. In: CONAB. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (ORG). Agricultura e abastecimento alimentar: políticas públicas e mercado agrícola. Brasília: CONAB, 2009. p. 493 – 501.

EMBRAPA. Briquetagem e peletização de resíduos florestais. Folder. Brasília: Embrapa Agroenergia, 2012.

FRANCELINO, Márcio R. et al. Contribuição da caatinga na sustentabilidade de projetos de assentamentos no sertão norte-rio-grandense. Revista Árvore. Viçosa, 27 (1): 79-86, 2003.

GARIGLIO et al. Uso sustentável e conservação dos recursos florestais da caatinga. Brasilia: Servico Florestal Brasileiro, 2010.

GENTIL, L. V. B. Tecnologia e economia do briquete de madeira. 197f. Tese de Doutorado em Engenharia Florestal. Universidade de Brasília, Distrito Federal, 2008.

GITMAN, L. J. Princípios da Administração Financeira. 10. ed. essencial. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

HALL. D.O. et al. Visão geral de energia e biomassa. In: ROSILLO–CALLE et al. Uso da biomassa para produção de energia na indústria brasileira. Campinas: UNICAMP, 2005. p.25-67.

IBGE. Censo Agropecuário 2006.

IBGE. Censo Demográfico 2010.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Energy balances of non-oecd countries 2003 – 2004. Paris: OECD, 2006.

KAREKESI, S. et al. Traditional Biomass Energy: improving its use and moving to modern energy use. International Conference for Renewable Energies, 2004, Bonn. Thematic Background Paper, Alemanha, 2004.

KASSAI, J.C. et. al. Retorno de Investimento: abordagem matemática e contábil do lucro empresarial. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2000.

LIMA, G. Cenário sobre o pó e a cera de carnaúba - período: novembro/2011. Conjuntura mensal.Conab:Fortaleza,2011.

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA . Balanço Energético Nacional 2012: Ano base 2011. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética, 2012.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Instrução Normativa Ibama No 1/1996. Diário Oficial da União no 174, de 6 de setembro de 1996.

MOURA, F. Análise econômica da atividade extrativista da carnaúba no município de Carnaubais, RN. TCC em Ciências Econômicas da UERN, Açu, 2010.

NOGUEIRA, L. A. H. Bioenergias e Sustentabilidade: nexos e métodos. São Paulo, 2005.

QUIRINO, W. F. Briquetagem de resíduos ligno-celulósicos. Ed. IBAMA - Circular Técnica do LPF. Vol 1. Nr 2. 1991.

SILVA, Paulo et al. Consumo de energéticos florestais do setor domiciliar no Estado de Pernambuco. Recife: IBAMA, 1993.

TAVARES M. A. M. E. Estudo da viabilidade da produção de briquete e seus possíveis impactos sobre o meio ambiente e o mercado de trabalho da região do Baixo-Açu, RN. 245 f. Dissertação de Mestrado em Economia da Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, fevereiro de 2013.

TAVARES S. R. de L. & SANTOS T. E. dos. Potencial de uso de biomassa vegetal para produção de briquetes na região do Baixo-Açu, no Rio Grande do Norte. Trabalho apresentado no 7º Congresso Internacional de Bioenergia, de 30 de outubro a 2 de novembro de 2012, no Centro de Exposições Imigrantes, São Paulo. Disponível no CD dos Anais do Congresso.




DOI: https://doi.org/10.15628/holos.2015.2660



 

HOLOS IN THE WORLD