Dona Jarluce

No dia 12 de Abril de 1913 nasceu em Guarabira, no interior da Paraíba uma mulher que iria revolucionar, com sua paixão pela música, a cidade de Currais Novos no Seridó potiguar.
Dona Suetônia Batista começou a tocar bandolim aos quatro anos, junto com a mãe, Maria Emília de Castro, uma dona de casa que também era musicista. Seu pai, Hermínio Nunes Pereira, alfaiate de profissão e boêmio por vocação, transferiu-se para a Villa de Fllores (atual Florânia no Seidó Potiguar e depois migrou para Currais Novos). Suetônia desenvolveu suas habilidades musicais e chegou a dominar mais de quarenta instrumentos. Em Currais Novos Dona Suetônia casou-se com João Batista Filho e deu iniciou a uma linhagem familiar de músicos que marcou época na cidade e agitou o cenário musical potiguar nos anos sessenta e setenta.  A família Batista.


(Família Batista: Um patrimônio musical de Currais Novos)

Dona Suetônia, mãe de nossa entrevistada Jarluce Batista, enfrentou toda sorte de preconceitos para manter viva sua paixão musical. Na Currais Novos dos anos 30, em um tempo em que mulheres com violões e bandolins não eram bem vistas pela sociedade rural e aristocrática dos sertões potiguares, ela se destacou pelo seu pioneirismo e conseguiu transformar sua residência em um núcleo de disseminação de amor pela música.
Mudando conceitos e concepções sociais naquele Seridó marcado pelos valores da aristocracia do couro e do algodão, Dona Suetônia transmitiu a seus filhos a mesma paixão e dedicação pela arte musical que a envolveu, fazendo com que todos eles tocassem algum instrumento.
Suetônia chegou a ter em casa 1500 Lps em 78 rotações e mais de 3000 vinis. Ela acabou por transmitir aos filhos uma profunda e diversificada cultura musical.


(Os Tropicalistas e a era dos festivais)

No mês de Maio de 2011 na companhia de Adriano Santori entrevistamos Dona Jarluce Batista, filha de Dona Suetônia uma das herdeiras musicais da família Batista. O terraço da casa dos batistas era um espaço musical, com uma banda da família montada para manter viva a tradição dos sarais musicais familiares, transitando por diversos gêneros, das canções a peças instrumentais, do erudito ao popular, das raízes da música nordestina ao cosmopolitismo do jazz e do rock.


(Suêtonia Batista: uma mutante na música potiguar)

Jarcluce fez parte na juventude de uma das bandas percussoras da música elétrica potiguar: Os Tropicalistas.
Talvez ela, herdando o pioneirismo da mãe, tenha sido a primeira mulher a tocar guitarra elétrica e contra baixo em uma banda de rock no Rio Grande do Norte. Antes de tocar em Os Tropicalistas, Jarluce tocou com os irmãos na Teneage Jazz Band. Chegou também a participar dos mitológicos festivais do Palácio dos Esportes nos anos sessenta na companhia de bandas como Impacto Cinco, The Berbes e Os Infernais.
Ainda hoje a família Batista se reúne para manter viva a tradição começada com sua matriarca, tingindo de sons as tardes da cidade de Currais Novos.  Entre as serras do Seridó potiguar, a linguagem universal da música compõe seus solos e suas harmonias em direção a um horizonte onde a criatividade estética e o pioneirismo das mulheres do sertão, mesmo em uma cultura machista, se manifesta pelo amor a arte.


(Música Popular Nordestina)

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