Caçuá de Mamulengo

O Teatro de Fantoches representa uma das primeiras expressões de teatro no Brasil, surgido no século XVI, trazido pelos colonizadores portugueses, não requer cenário complicado, nem “atores”. Seus recursos cênicos e os personagens (bonecos) são fáceis de transportar, o que permitiu durante o período colonial ter sido utilizado pelos jesuítas que mergulhavam no sertões brasileiros em busca de catequizar as tribos indígenas. Em Currais Novos o grupo Caçua de Mamulengos mantem viva a história do teatro de mamulengos no Rio Grande do Norte.

(A biografia do Caçuá e a história do Mamulengo)

O primeiro contato que o criador/idealizador do grupo Caçua de mamulengos (Ronaldo), teve com o teatro de bonecos, aconteceu através do mestre Chico Daniel em 1984, num projeto da FJA (Fundação José Augusto) chamado “Arco da cultura”. – “Foi meu primeiro deslumbramento com a arte do João Redondo e durante muito tempo fiquei com a ideia de montar um teatro de bonecos”.

Em 1997 montou com Adriano Santori, amigo e também artista da cidade de Currais Novos, um grupo de teatro de bonecos que durou pouco tempo. Neste período realizaram várias apresentações em escolas de Currais Novos.

(Os personagens do Teatro da Memória)

No ano de 2007 quando trabalhava como diretor da biblioteca pública de Currais, ligada à Fundação José Bezerra Gomes, Ronaldo teve a iniciativa de retomar o projeto que estava adormecido a uma década. Foi justamente o seu reencontro com um velho amigo, Francinaldo Moura (Naldinho Moura) que deu a Ronaldo o impulso que faltava para fazer nascer o Grupo Caçuá de Mamulengos.

Preocupados não apenas em continuar a tradição dos velhos mestres mamulengueiros como Chico Daniel, Zé Relâmpago, Mestre Zé da Vina e Mestre Zé Lopes, mas também em atuar politicamente na comunidade, usando as narrativas do teatro de bonecos como ferramentas de libertação social, que abordam temas como preconceito, racismo e a exploração socioeconômica, que ainda se mantem por esses sertões potiguares através de modelos aristocráticos de dominação dos coronéis do século XXI. Os Doutores sem diploma de pós-graduação, mas com mandato eletivo.

(O Alumbramento com Chico Daniel)

Desde então, o grupo já realizou várias apresentações em todas as escolas de Currais Novos e em outras cidades como Natal, Mossoró, Acarí, Parelhas, Cruzeta, Cerro Corá, Carnaúba dos Dantas e Lagoa Nova.

No ano de 2009 participaram  do encontro  realizado pelo IPHAN.  Neste mesmo ano foram premiados através dos micro-projetos culturais, desenvolvidos pelo programa mais cultura do MINC, INEP, BNB, FUNARTE e FJA.  Um desses Projetos, que merece destaque é o “João Redondo nas Terras de Seridó”, onde foram realizadas oficinas de confecção de bonecos em várias cidades do seridó, para jovens de escolas públicas.

(Dona Quiteria, Seu Toinho e o boi de Chico Antônio)

Outro Projeto que também obteve grande êxito e ainda está em vigor: O “João Redondo no Oco do Mundo”, onde são realizadas apresentações na zona rural das cidades potiguares. O Caçua de Mamulengo vai até os povoados de mais difícil acesso, longe dos centros urbanos. Em cima de serras, no meio da caatinga, nos rincões mais afastados estes mamulengueiros atuam levando além da cultura popular (o lúdico), informações, notícias sobre a cidade “grande” para um mundo que ainda não foi engolido pela força fáustica da modernidade.

(O João Redondo no oco do mundo)

Os bonecos confeccionados pela dupla Naldinho e Ronaldo, são produzidos a base de madeira leve.  Da confecção dos bonecos passando pela construção da narrativa o trabalho do Caçua mantem viva uma tradição que é a cara da cultura potiguar (um dos estados com o maior número de mamulengueiros no Brasil). Do pé das serras do Seridó os mamulengos do Caçuá  de Naldinho e Ronaldo nos transportam para o centro de nossa própria identidade, misturando com o humor das infâncias rurais que ainda guardamos no oco de nossas vidas, arte a ação social em um mesmo mundo de risos e fantasia.

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